Diabetes Gestacional

Tudo ia maravilhosamente bem até aquele exame de glicemia vir alterado, né?! “Como assim, tenho diabetes gestacional???”

Diabetes é o diagnóstico de aumento de açúcar no sangue. Glicemia de jejum acima de 92mg/dL e abaixo de 125mg/dL caracteriza Diabetes Mellitus Gestacional (DG). Valores acima de 125mg/dL caracterizam Diabetes Mellitus antes da gestação.

Há algum tempo os valores e critérios para o diagnóstico de DG foram alterados. Isso tornou o quadro de gestantes diabéticas muito maior mas também reduziu o quadro de mortalidade fetal, distocia de ombro, lesão de nervos cranianos, excesso de massa gordurosa ao nascimento, recém-nascidos grandes para idade gestacional, macrossomia, cesarianas e pré-eclâmpsia.

Se os valores de jejum se mantiverem abaixo de 92mg/dL, entre 24 e 28 semanas deverá ser realizado o exame de Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75 g (também conhecido como curva glicêmica). Se algum dos valores se apresentarem acima do esperado, o diagnóstico será DG:

≥ a 92 mg/dL no jejum

≥ a 180 mg/dL na primeira hora

≥ a 153 mg/dL na segunda hora.

O TOTG com 75 g é preconizado para todas as gestantes que não apresentaram diagnóstico de DMG ou DM diagnosticado na gravidez

O que o Diabetes Gestacional pode causar?

Na gestação o DG pode gerar hipertensão, aumento do líquido amniótico, bebês macrossômicos (crescimento fetal excessivo) e todas essas consequências podem levar à uma necessidade aumentada de cirurgia (cesariana). Para além da gestação, o DG pode predispor tanto a mãe quanto o bebê a desenvolverem Diabete Mellitus tipo 2 (DM2) e portanto precisam de acompanhamento durante toda a vida. As evidências atuais ressaltam que a exposição fetal intra-uterina ao DG está associada além do DM2, com risco futuro elevado de obesidade e doença cardiovascular. 

As complicações para o bebê ao nascer mais graves são: a síndrome do desconforto respiratório (a hiperinsulinemia fetal parece ser o fator etiológico do atraso na produção do surfactante pulmonar que leva ao aumento do desconforto respiratório), a hipoglicemia (queda de açúcar no sangue) e a hiperbilirrubinemia (icterícia). 

E como evitar isso tudo??? 

Simples: manter os índices de açúcar no sangue estáveis. 

Como?

Consulte um nutricionista para uma realizar uma dieta bem orientada e fazer as substituições necessárias e pratique atividades físicas para queimar o açúcar que ficar disponível no sangue. Cerca de 60-70% das mulheres com DMG conseguem controlar a glicemia pela adesão à dieta e às atividades físicas. Um número pequeno de casos poderá precisar utilizar insulina, em conjunto com a dieta e a atividade física.

Como saber se os níveis de açúcar estão controlados?

Com a monitorização da glicemia através da coleta da gota de sangue na ponta de dedo (glicemia capilar também chamada de dextro). É a monitorização da glicemia que vai mostrar quais alimentos fazem com que a glicemia aumente, se os valores da glicemia estão normais ou anormais e se você vai precisar receber medicamentos (insulina) para conseguir controlar o açúcar no sangue. 

Fizemos uma tabelinha pra te ajudar a se organizar. Baixe aqui:

Dica importante: o horário para a coleta após as refeições precisa ser começado a contar a partir do início da refeição. Ou seja, sentou pra comer, coloque um despertador para 1 hora.

Onde conseguir o aparelho de medição?

Se você puder investir, o aparelho (glicosímetro) é vendido em farmácias com preço médio de R$ 60,00 e o potinho com 50 tirinhas reagentes custam em torno de R$ 70,00. Os preços variam muito (muito mesmo) e vale à pena pesquisar. As unidades de saúde realizam o empréstimo de glicosímetros para as pacientes, que devem ser retornados no final da gravidez (caso não estejam disponíveis para empréstimo, as aferições podem ser feitas na própria unidade de saúde).

E depois que o bebê nasce?

Após 6 semanas do parto você deve realizar novamente o TOTG 75g (jejum, 1ª hora e 2ª hora). Esse exame tem taxa de detecção de 100%. Mas se não for possível realiza-lo, deve-se coletar ao menos a glicemia de jejum nesse mesmo período (6 semanas após o parto). A taxa de detecção nesse caso é de 66%. 

Referências: 2019 Organização Pan-Americana da Saúde. Ministério da Saúde. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/pdf/Consenso_Brasileiro_Manejo_DMG_2019.pdf

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