E como fica o parto e pós-parto em tempos de COVID-19? (PARTE I)

A GESTAÇÃO E O PARTO

Neste momento, nós da SOS Primeiros Dias, vemos como nossa principal missão, levar aos nossos seguidores, seja profissional em área de saúde, ou família em busca de informações de fontes seguras, todo conteúdo relacionado ao coronavírus, ainda mais refinado e selecionado, garantindo o cuidado e excelência que tanto prezamos.

Por isso, segue uma seleção de informações e recomendações com o que há de mais atual em cuidados na fase de gestação, parto e pós-parto frente á pandemia vigente em nosso planeta.

Vários documentos têm sido publicados a respeito da atenção à saúde de gestantes e bebês. Resumimos aqui os principais tópicos sobre o assunto.

O Protocolo de Manejo Clínico do Novo Coronavírus (COVID-19) na atenção primária à saúde publicado em março de 2020 pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), recomenda:

 Gestantes e puérperas com Síndrome Gripal (febre + tosse ou dificuldade respiratória ou dor de garganta) e risco para COVID-19 devem:

  • Ser avaliadas com maior atenção para dispneias (falta de ar).
  • Em pacientes com saturação abaixo de 95% deve-se considerar o início imediato de oxigenioterapia, monitorização contínua e encaminhamento hospitalar.
  • O uso de antiviral (Tamiflu) deve ser considerado.
  • Havendo a necessidade de exame radiológico (em qualquer período gestacional) para averiguação de pneumonia, esse deve ser realizado tão logo seja possível.
  • Gestantes sintomáticas têm contraindicação de isolamento domiciliar.

Puérperas classificadas como casos suspeitos e assintomáticas:

  • Isolamento domiciliar;
  • Manter, preferencialmente, mãe e recém-nascido em quarto privativo.
  • Manter distância mínima do berço do RN e mãe de 1 metro.
  • Orientar a higienização das mãos imediatamente após tocar nariz, boca e sempre antes do cuidado com o RN.
  • Orientar o uso de máscara cirúrgica durante o cuidado e a amamentação do RN.
  • Profissional de saúde ao atender a puérpera e RN deve seguir as orientações de precaução padrão e gotículas.
  • Caso a puérpera precise circular em áreas comuns da casa, utilizar máscara cirúrgica.

Em Nota de Alerta publicada este mês pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), orienta-se:

I. Mulheres ASSINTOMÁTICAS e que AFIRMAM AUSÊNCIA DE CONTATO com pessoas com infecção causada por COVID-19 ou com sintomas respiratórios: tosse seca, o mais comum, e febre por mais de 24 horas, ou dificuldade para respirar mesmo sem febre.

1.     Assistência na SALA DE PARTO:

Manter as práticas clínicas preconizadas de assistência ao nascimento, de acordo com as normas do programa de reanimação neonatal e diretrizes do parto seguro, da SBP;

O acompanhante, QUANDO ASSEGURADAS MEDIDAS RECOMENDADAS DE CONTROLE, deve estar assintomático, não residir com pessoas com diagnóstico de COVID-19 ou com sintomas respiratórios (tosse seca – o mais comum – e febre por mais de 24 horas, ou dificuldade para respirar mesmo sem febre) e não deve ser grupo de risco para a doença;

As recomendações gerais de controle da doença, de distâncias e afastamentos entre leitos e pessoas, precisam ser asseguradas!

2.     Assistência à mãe e ao recém-nascido no ALOJAMENTO CONJUNTO:

Para RN clinicamente estável e assintomático: manter as condutas clínicas recomendadas de assistência ao recém-nascido potencialmente saudável

3.     Normas recomendadas para ACOMPANHANTES E VISITAS

Acompanhantes só poderão ser mantidos em maternidades com alojamento conjunto EM INSTALAÇÕES OU QUARTOS INDIVIDUAIS, assegurando a recomendações de prevenção ou redução de riscos de contágio;

A permanência de ACOMPANHANTES e visitas de FAMILIARES nas maternidades nas quais a ESTRUTURA FÍSICA DO ALOJAMENTO CONJUNTO MÃE-FILHO NÃO GARANTA AFASTAMENTO ENTRE LEITOS DE NO MÍNIMO 2 METROS DEVE SER SUSPENSA, durante a pandemia, para assegurar condições de menor risco de transmissão de infecção por gotículas;

Nos casos de mães com necessidades especiais, um acompanhante, com as condições já definidas acima e de acordo com recomendações gerais de controle do COVID-19 poderá acompanhar a puérpera durante sua internação, asseguradas todas as recomendações anteriores;

O monitoramento dos resultados perinatais é fundamental para apontar mudanças necessárias nos processos de trabalho;

Para o monitoramento dos processos clínicos e resultados perinatais estão recomendadas estratégias da qualidade.

II. Mulheres – gestantes, parturientes e puérperas COM DIAGNÓSTICO DE INFECÇÃO PELO NOVO CORONAVIRUS OU EM ESCLARECIMENTO DIAGNÓSTICO (síndrome gripal a ser esclarecida ou relato de contato com pessoas doentes)

1. Parto:

a. Clampeamento oportuno do cordão umbilical;

b. O contato pele a pele NÃO está recomendado; porém, manter CONDUTA ACOLHEDORA, possibilitando à mãe um contato ocular com a criança!

c. Manter alojamento conjunto PRIVATIVO com CRITÉRIOS DE ISOLAMENTO:

 Para mãe clinicamente estável e RN assintomático

Alojamento conjunto mãe-filho deverá ser mantido, EM ISOLAMENTO, EM QUARTO PRIVATIVO, assegurados dois metros de distância entre o leito da mãe e o berço do recém-nascido. Para os cuidados com o RN ou amamentação a mãe deverá usar máscara cirúrgica e higienizar as mãos adequadamente antes e depois do contato com o RN. Ver orientações definidas para o aleitamento materno MS-Brasil;

Amamentação pode ser mantida, assegurando a autonomia da mulher, com as precauções necessárias para evitar contaminação do RN: uso de máscara cirúrgica para amamentar, distância de dois metros entre leito materno e o berço nos intervalos de mamadas, e higienização adequada das mãos antes e após os cuidados com o RN (ver NT-MS sobre Aleitamento Materno durante pandemia pelo corona vírus – no próximo post).

2. Unidade neonatal de cuidados progressivos – UNCP, inclui todos os níveis de cuidados (cuidados intensivos, intermediários, convencional e canguru)

Com MÃE internada em Unidade de Tratamento Intensivo e RN estável:

O RN deve permanecer em ambiente privativo com acompanhante, cumprindo todos os critérios de acompanhante saudável, descritos nesse documento, durante a sua permanência hospitalar.

Com mãe estável e RN doente:

O RN deve permanecer em leitos de cuidados intensivos ou intermediários, de acordo com sua demanda clínica, em isolamento, para receber cuidados e para esclarecimento diagnóstico;

A mãe deve ficar em isolamento até ter condições de alta;

 A mãe não deve ir à Unidade Neonatal até que tenha passado o período de transmissibilidade da COVID-19 de 14 dias;

A mãe precisa receber orientações quanto ao aleitamento materno.

III. Abordagem clínica do RN com quadro respiratório agudo que demanda cuidados intensivos ou intermediários, de acordo com o quadro clínico da MÃE:

RN filho de mãe assintomática e sem história de contato: abordagem de acordo com protocolos clínicos consensuados no serviço, anterior à pandemia pelo novo corona vírus;

RN filho de mãe com suspeita ou diagnóstico de infecção por COVID 19:

– Isolamento com precaução de contato e de gotículas, em quarto privativo na unidade neonatal ou, na impossibilidade, em incubadora, com distância mínima de dois metros entre leitos;

– Propedêutica diagnóstica de acordo com protocolos clínicos estabelecidos;

– Suporte ventilatório, conforme a demanda clínica da criança;

– Procedimentos de aspiração, ventilação com pressão positiva com balão e máscara, intubação e ventilação não-invasiva demandam cuidados específicos por apresentarem risco aumentado de contaminação e disseminação da doença: o uso de máscara N-95 ou FF2, conforme protocolos já definidos, é mandatório;

– Propedêutica diagnóstica especifica para COVID-19 nos filhos de mãe com suspeita ou diagnóstico da doença

NOTA: essas recomendações poderão ser alterados de acordo com protocolos do MS, com adequações regionais e locais, e com a aquisição de novos conhecimentos.

IV. Fluxos de pacientes e famílias nas instalações físicas da maternidade, Alojamento conjunto e Unidade Neonatal de Cuidados Progressivos:

Mãe assintomática e sem história de contato com doentes ou suspeitos:

Acesso livre às instalações de cuidados à ela e ao seu filho;

Presença do pai: discutir a melhor forma de implementação de normas já recomendadas nos itens anteriores;

Sugere-se check-list para coleta de informações de presença ou não de sintomas e ou sinais de síndrome gripal ou doença pelo corona vírus;

Seguir orientações do hospital de acordo com recomendações de controle geral da pandemia.

V. Particularidades para a equipe assistencial:

Seguir orientações padronizadas pela CCIH;

Usar equipamentos de proteção individual e implementar o cuidado em ambiente limpo, segundo normas de controle de infecção hospitalar COVID-19;

Usar máscara N-95 ou FF2 para procedimentos com risco de aerolização.

Referências:

Prevenção e Abordagem da Infecção por COVID-19 em mães e Recém-Nascidos, em Hospitais-Maternidades – Departamento Científico de Neonatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria – Março, 2020.

Protocolo de Manejo Clínico do Novo Coronavírus (COVID-19) na atenção primária à saúde Secretaria de Atenção Primária à Saúde – Brasília – DF – Março, 2020.)

NOTA TÉCNICA Nº 7/2020-DAPES/SAPS/MS – Departamento de Ações Programáticas Estratégicas – Secretaria de Atenção Primária à Saúde – Ministério da Saúde – Março, 2020

Chen H, Guo J, Wang C, et al. Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Lancet 2020; 395: 809–15

Royal College of Obstetricians and Gynaecologists. Coronavirus (COVID-19) Infec􀆟on in Pregnancy. Information for healthcare professionals. Version 1: Published Monday 9 March, 2020. Disponível em https://www.rcog.org.uk/globalassets/documents/guidelines/coronavirus-covid-19-virus-infection-in-pregnancy-2020-03-09.pdf. Acesso em 11/3/2020.

Cartilha Mulher trabalhadora que amamenta, MS – Brasil, 2015, disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mulher_trabalhadora_amamenta.pdf;

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