Nomeie Sentimentos

Você já fez terapia alguma vez?

Se sim, sabe que um dos papéis do terapeuta é nomear sentimentos. Você vai lá, fala hoooras de tudo que tá bagunçado na sua mente, ele organiza em pastas e dá um nome pra aquilo tudo.

Impressionantemente depois disso você começa a conseguir lidar melhor com aquela desordem mental.

NOME!

Assim funciona com nossos filhos também. Eles muitas vezes não conseguem lidar com aquilo que não conhecem. Sentimentos. E vamos combinar que lidar com sentimentos não é mesmo uma tarefa fácil!

Quando seu filho estiver tendo uma crise de choro e querendo gritar, tente entender o motivo que o levou àquele sentimento e dê nomes.

Certa vez, em um sábado de manhã, meu filho no auge dos seus 4 anos (muito independente), interfonou para todos os 3 amiguinhos do prédio para chamar pra brincar.  Infelizmente nesse dia nenhum dos amiguinhos podia pois tinham algum compromisso de família.

Bruno ficou muito triste!! Sem consciência, ele começou a maltratar a irmãzinha (que na época tinha menos de 2 anos). Ele arrancava os brinquedos de sua mão, gritava com ela, chegou a empurrá-la. Eu, de longe só pedindo pra ele não fazê-lo.

Até que me dei conta que ele não estava conseguindo lidar com aquele sentimento. Segurei o desejo de dar uma belíssima bronca nele pelos maus tratos com a irmã, me ajoelhei em sua frente, olhei pra ele e disse:

“Filho, você está triste e frustrado!”.

E continuei… “Você queria muito descer pra brincar com seus amigos mas nenhum deles poderia e isso te deixou com esse sentimento que chamamos de frustração! E aí, por conta disso, você está descontando tudo na sua irmã que só quer ficar perto de você! Eu sei que você quer descontar em alguém a sua FRUSTRAÇÃO, mas não vai ajudar em nada machucar a sua irmã que só tá querendo ficar perto de você”.

Meu filho desabou a chorar… um choro de alívio. O abracei e esperei que se acalmasse. Ele olhou pra irmã e pediu desculpas.

Eu me emociono até hoje quando lembro daquela cena. Penso no quanto todos nós ali estávamos crescendo com aquele ocorrido. Eu, como mãe, nem sempre tenho inteligência emocional pra lidar com esses ataques infantis. Mas seria muito bom se tivesse…

Se nós, adultos, não conseguimos fazer isso sozinhos muitas vezes, quiçá nossos pequenos. Seja o tradutor pra ele, sempre que possível.

E lembre-se: sim, ele também precisa sentir raiva, tédio, frustração… você não precisa tirar isso dele, apenas nomear para que ele possa amadurecer lidando com isso.

Ana Paula S. Garbulho
Mãe do Bruno e da Melissa

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