O papel do pai/companheiro(a) no pré-natal e no parto

Esse texto deveria ser escrito por um homem, fato.

Mas eu não resisti!

Acompanhei um parto, recebi essa foto no grupo e tanta coisa me passou pela mente…
Emocionei com a imagem porque ela é a representação de tudo aquilo que observei no pré-natal e no dia do parto.

“Quando o companheiro está conectado à díade mãe-filho, ele forma a tríade” (Laura Gutman).

Vou começar dizendo que sempre que eu disser “pai” estou me referindo à parceiro/ companheiro/ parceira/ companheira… ok? Sem discriminação.

O pré-natal e o parto são eventos que se ligam diretamente aos processos fisiológicos do corpo feminino mas não somos feitos apenas de carne e osso, não é?! Durante o pré-natal temos a oportunidade de refletir os aspectos psicológicos, nossa relação com nossa mãe e pai, podemos estudar muito sobre as escolhas e processos que ocorrerão nos meses subsequentes, não só no parto como também amamentação, sono do bebê e cuidados gerais. O pai que se envolve estará mais tranquilo para acompanhar sua companheira, inclusive aproveitando do fato de que ele não está com a memória prejudicada. Essa união proporcionará ao casal maior segurança na tomada de decisões e não os deixará tão vulneráveis ou suscetíveis aos procedimentos rotineiros ou desnecessários.

Durante o trabalho de parto, nós mulheres vamos nos desligando do nosso neocórtex para ficarmos mais conectadas com nosso sistema límbico, que é o sistema ligado às emoções, ao processo de luta e fuga. E precisa ser assim!! Precisamos estar “desconectadas” para nos “conectarmos” ao processo de parir. Se temos ao nosso lado um companheiro que nos apoie, que nos ofereça suporte, que esteja muito bem informado sobre aquilo que nós desejamos ou não desejamos, podemos nos entregar por inteira. Se, por outro lado, nosso companheiro não vivenciou esse processo junto, se está inseguro, não confia na equipe, não confia nos processos fisiológicos, não sabe bem o que vai acontecer… então não conseguimos nos entregar, uma atmosfera de medo toma conta e liberamos muita adrenalina, dificultando a ação da ocitocina (hormônio responsável pelas contrações uterinas – chamado “hormônio do amor”).

Parceiros/parceiras: estejam presentes! Estudem! Sempre que possível compareçam às consultas pré-natais, façam perguntas, questionem tudo e se sintam parte do que está acontecendo.

Para nós profissionais de assistência ao parto é emocionante assistir o amor de um casal crescer e se fortalecer diante do novo, diante dos imprevistos. Não desperdicem essa oportunidade.

Gratidão ao casal lindo que me concedeu o direto de usar essa foto para publicar com este texto.

V. e J. vivenciaram um VBAC (parto normal após uma cesariana) com todos os desafios imagináveis: bolsa que rompeu antes do parto começar, bebê alta, colo sem dilatação… mas juntos encararam todos os desafios e receberam a Gabi num lindo e transformador parto normal. J. diz que sua admiração pela força de sua esposa só cresceu. V. disse que sem o apoio e amor de seu marido não teria conseguido.

E a equipe? Só lágrimas de emoção!

Ana Garbulho

Obstetriz

Mãe do Bruno e da Melissa

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